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Conheça tudo o que está acontecendo no Centro de Treinamento do técnico Larri Passos. Já no Diário de Bordo você entra nos bastidores da rotina e curiosidades de treinamentos e competições pelo mundo afora.


Beatriz Haddad é destaque na Revista ISTOÉ 2016

A tenista Beatriz Haddad Maia, da Larri Passos Tênis Pro/Instituto Larri Passos, foi um dos destaques da Revista Istoé2016, do mês de setembro. A paulista de 1,84 falou sobre o trabalho desenvolvido ao lado do técnico Larri Passos e sobre as cobranças e expectativas para o futuro. Confira a matéria completa:

 

 

A HISTÓRIA DO TÊNIS BRASILEIRO É SURPREENDENTE. Apesar da sucessão de fracassos e da escassez de praticantes, o País produziu dois dos maiores tenistas de todos os tempos. Maria Esther Bueno, campeoníssima em Wimbledon, venceu 19 torneios do Grand Slam (contando vitórias na categoria simples e em duplas) e Gustavo Kuerten faturou três títulos no solo sagrado de Roland Garros, na França. Tanto Maria Esther quanto Guga são talentos excepcionais surgidos quase que por milagre e não resultado da tradição, de políticas de incentivo ou de programas de detecção de talentos. Estranhamente, o tênis brasileiro parece que está prestes a produzir outro, digamos, "desvio". Trata-se da paulistana Beatriz Haddad Maia, que em junho se tornou vice-campeã juvenil, na categoria duplas, do torneio de Roland Garros - até então, só a própria Maria Esther havia chegado tão longe em um Grand Slam. Aos 16 anos, alta (1,84 metro), dona de um potente golpe de canhota, Bia tem um estilo que faz diferença hoje em dia. É agressiva o tempo todo, sempre toma a iniciativa do jogo e alia a força a um preparo físico exuberante. E o melhor, especialmente se tratando de tênis: tem cabeça boa, requisito indispensável para brilhar no esporte. "Acho muito legal todo mundo apostar em mim, mas não vou me apavorar", diz. "Sei que tudo depende do meu trabalho."

 

Filha da ex-tenista Laís Scaff Haddad e do gerente-comercial Ayrton Elias Maia Filho, Bia foi incentivada desde pequena pelos pais a praticar natação, futebol e, claro, tênis. "Para mim, era uma diversão ter a minha mãe me treinando", relembra. Com o tempo, o esporte foi ocupando um espaço maior na vida da jovem. Aos 14 anos, resolveu apostar todas as fichas na carreira de tenista e seguiu, sozinha, para o Sul do País. "Foi difícil, porque eu sentia saudade da família, principalmente da minha irmã [Andrea, hoje com 14 anos]." Desde 2010, mora sozinha no Balneário Camboriú, em Santa Catarina, e treina diariamente na academia de Larri Passos, um dos mais conhecidos técnicos do Brasil e responsável pela trajetória bem-sucedida de Gustavo Kuerten.

 

A postura disciplinada e decidida não é surpresa para a família. "Desde pequena, Bia é tranquila e muito organizada", lembra a mãe da atleta, que costuma correr para Guarulhos e dar um beijo na filha quando ela viaja para os torneios e faz escala no aeroporto em São Paulo. No início do ano, todos seguiram a atleta para Roland Garros, onde viveram o papel de pais torcedores. "Sou nervoso e emotivo, pago mico mesmo", diverte-se Ayrton, o pai.

 

Mesmo com o coração apertado pela distância, os pais dizem que nunca tiveram dúvidas quando a oportunidade de ser treinada em uma das melhores academias de tênis do Brasil surgiu para a filha. "A saudade existe, mas sempre apoiamos as decisões dela", diz Laís. Ayrton completa: "Nossa preocupação maior é mantê-la motivada e feliz com as próprias escolhas."

 

Bia tem uma rotina puxada. Acorda todos os dias por volta das seis e meia da manhã e segue para a escola, a pé. Às 12 horas, um trânsfer a leva para a academia. É lá que ela almoça e, depois de um breve intervalo, começa o treinamento. São cerca de duas horas de preparação física, entre musculação e aeróbica. Só depois se iniciam os trabalhos em quadra. Normalmente, às seis da tarde ela já encerrou a jornada. Em dias intensos, o treino só termina depois das oito da noite. "Não existe segredo, é preciso aguentar o tranco", afirma a jogadora. Por esse mesmo motivo, vestibular não está em seus planos. "Conversei com meus pais sobre isso e decidimos que meu foco deve ser o tênis."

 

Constantemente comparada com Maria Esther Bueno, Bia faz parte do Projeto Olímpico de Tênis Rio 2016, financiado pelo COB. Com isso, a atleta consegue apoio financeiro para custear o treinamento e as viagens para torneios. "Seu maior trunfo são os resultados", diz Jorge Lacerda, presidente da Confederação Brasileira de Tênis. "Com apenas 16 anos, ela foi a segunda brasileira a disputar uma decisão de Grand Slam, tem um excelente físico e golpes muito fortes." Nesse cenário de cobranças e expectativas, a parceria com o técnico Larri Passos tem sido fundamental.

 

"Sempre digo aos meus jogadores que, depois de tanto treino, o mais importante é saborear a sobremesa", filosofa o técnico. "Durante o jogo, é importante desfrutar daquele momento, e a Bia tem essa característica, pois vive o agora, o tempo presente." Larri, aliás, acredita que essa é a principal semelhança da atleta com Guga. "Ela é muito obstinada, diferente das outras meninas de sua idade", diz. "É uma jogadora moderna, ataca e corre riscos o tempo todo." Do outro lado, Bia devolve os elogios, "Eu acredito mais em mim porque sei que ele acredita também", diz a jovem. 

 

Serena, Bia passa a impressão de que as circunstâncias fizeram dela uma mulher obstinada desde muito cedo. A seriedade só vai por água abaixo quando surge o nome de Gustavo Kurten. Nesse momento, um sorriso maroto rasga o rosto da menina, que fica com os olhos brilhando pela lembrança do ídolo. "Meu objetivo máximo é vencer em Roland Garros por causa dele", diz ela, que é fã confessa. Durante uma visita ao centro de treinamento, Guga topou uma partida, para delírio de Bia. "Eu tremia quando entrei em quadra com ele", relembra a garota. O maior jogador da história do tênis brasileiro é só elogios à promissora atleta. "Sua precocidade é o que mais chama a atenção", diz Guga. "Ela está ciente dos sacrifícios que a vida no tênis impõe."

 

Mesmo com a rotina forte de treinamentos, a jovem tenista tenta manter uma vida o mais próxima possível da normalidade. Ela diz ser uma aluna "nota sete", que adora matemática e português e tem total "desapego a história e geografia". Apesar das viagens, conserva os amigos que fez em São Paulo e troca mensagens principalmente pela rede de relacionamentos Facebook. Não tem namorado e prefere assim, "pois falta tempo", afirma. Come de tudo, mas tem prazer especial em saborear sushi e joelho de porco. "Tinhamos um acordo: para cada jogo que ela vencia, íamos juntos ao restaurante para comer o prato", diz Ayrton, o pai. Avessa a badalações, não sai à noite e diz aproveitar a solidão que a nova realidade trouxe. "Gosto de ficar em casa lendo ou jogando no computador", afirma. O que dá prazer mesmo é jogar tênis. E de alta qualidade.

 

 

Fonte: Danielle Sanches / Revista ISTOÉ 2016
Fotos: Pedro Dias 

01/10/12
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